"

BLOG

Mudar o pneu vai além da disponibilidade de aderência

O artigo da semana passada trouxe os impactos secundários em trocar o pinhão e/ou coroa. No texto de hoje veremos que substituir o pneu além de modificar a aderência disponível, também altera outras características da moto e, por isso deve ser realizados ajustes para compensar o composto, a rigidez da carcaça e a nova geometria.

Em 2019 a Pirelli trouxe ao Brasil novas medidas de seus pneus slicks que proporcionaram níveis maiores de aderência devido a alterações em suas dimensões. A nova geração de pneus passou a utilizar a mesma medida do Mundial de Superbike (WSBK). O dianteiro passou a ser 125/70R17 contra o tradicional 120/70R17. Por ser um pneu mais largo, montado em uma roda de mesma largura, seu perfil foi alterado, tornando-o ainda mais triangular. Os benefícios vieram na forma de mais agilidade para mudanças de direção e maior área de contato quando inclinado, o que proporcionou um aumento do limite da frenagem quando inclinado (“trail braking” em motocicletas). Já o pneu traseiro mudou de 200/60R17 para 200/65R17. A maior altura do ombro alterou o formato da seção deixando-o mais quadrado, isto aumentou a área de contato quando a motocicleta encontra-se na posição vertical, momento no qual ocorre a máxima aceleração.

Como as dimensões do pneu foram alteradas, sua circunferência também foi. Abaixo temos a tabela com as circunferências centrais e no ombro do pneu cedidas pela Pirelli

As diferentes dimensões devem ser levadas em consideração para o correto funcionamento do controle de tração e também do rake da motocicleta.

Controle de tração

O controle de tração trabalha em função da diferença de velocidade entre as rodas, por meio da leitura da frequência de rotação. Com a maior circunferência, maior será a velocidade para e mesma rotação. A não atualização da eletrônica ocasionará um erro de 0,5% da leitura do escorregamento, visto que a razão circunferência do par 200/65-125/70 é 0,5% maior que a razão do par 200/60-120/70 [(672/610) / (662/604)].

Geometria do chassi

Com os novos pneus, há uma alteração na altura do centro das rodas e, consequentemente, uma variação na geometria. Neste exemplo, há a atualização das medidas causou uma elevação de 3mm na dianteira ((610-604)/2) e 5mm na traseira ((672-662)/2) e como resultado, houve a variação indireta do:

  • Posição do CG – Uma elevação de aproximadamente 4mm e um leve deslocamento para a dianteira

  • Trail – Um aumento, o qual é proporcional ao ângulo de cáster do veículo, gerando maior estabilidade

  • Antisquat – Diminuição do valor, pois a elevação do centro da roda traseira foi maior que a dianteira

Pressão dos pneus

A mudança do modelo ou marca do pneu pode impactar em uma diferente carcaça, o que implica em uma nova rigidez estrutural. Isto influência diretamente tanto o modelo matemático quanto a prática. Do modelo matemático, estamos habituados a considerar o valor da rigidez da mola e o amortecimento do amortecedor, entretanto o pneu também possui uma constante elástica e uma constante de amortecimento.

A imagem acima traz a representação de como o modelo é feito. Esta imagem é conhecida, no universo da dinâmica, como modelo 1/4 de carro no qual M representa a massa, K a constante elástica, C a constante de amortecimento, Z o deslocamento vertical. Os subíndices S refere-se os corpos suspensos, US aos não suspensos e C ao solo.

Tratando-se do pneu, deve ser inserido as informações “Kus” e “Cus”. Os números exatos dessas variáveis são complexos de serem medidos e na maioria dos casos, os fabricantes não informam. Entretanto é importante entender o conceito abordado por Massaro, M. e Cossalter, V. no artigo The effect of the inflation pressure on the tyre properties and the motorcycle stability, o qual deu origem a imagem abaixo.

O aumento da pressão do pneu traz um aumento na rigidez do conjunto, logo é possível compensar a adição ou diminuição da rigidez do novo pneu aumentando ou diminuindo a libra utilizada.

Um método empírico para analisar a rigidez da carcaça é tentar deformar o pneu, na direção radial, quanto menor for a rigidez, maior será a deformação. Deve-se tomar o cuidado de não deformar excessivamente (dobrar o pneu) a ponto de danificar a estrutura da carcaça.

Compensações a serem feitas

Sempre que houver uma alteração do modelo de pneu utilizado, seja o fabricante, medida ou tipo de pneu (slick, intermediário, chuva ou semi-slick) deve ser medido a circunferência e correções na eletrônica, na altura da dianteira e traseira da motocicleta, e pressões de trabalho dos pneus devem ser realizadas.

Deste modo garante-se que a geometria permanece inalterada, com o propósito de comparar a performance do conjunto pré alteração com a pós alteração, por meio do feedback do piloto, das conclusões da análise dos dados e, principalmente, do cronômetro.

Privacy Overview

This website uses cookies so that we can provide you with the best user experience possible. Cookie information is stored in your browser and performs functions such as recognising you when you return to our website and helping our team to understand which sections of the website you find most interesting and useful.